Março Lilás reforça prevenção do câncer do colo do útero e sua importância para a continuidade laboral e a qualidade de vida

Iniciativa amplia informação em saúde feminina, reforçando que diagnóstico precoce e cuidado contínuo podem reduzir afastamentos do trabalho e contribuir para a proteção social ao longo da vida

No contexto do Março Lilás, campanha dedicada à conscientização sobre o câncer do colo do útero, autoridades de saúde e especialistas voltam-se ao desafio de ampliar o acesso à informação sobre prevenção, rastreamento e diagnóstico precoce dessa neoplasia que ainda representa um problema significativo de saúde pública no Brasil. Organizado por instituições de saúde e sociedade civil, o Março Lilás busca consolidar práticas preventivas que podem transformar trajetórias de vida e reduzir consequências laborais, sociais e econômicas associadas ao adoecimento.

O câncer do colo do útero, também chamado de câncer cervical, é causado pela infecção persistente pelo papilomavírus humano (HPV), responsável por cerca de 99% dos casos da doença, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) e da Organização Mundial da Saúde (OMS). A doença pode se desenvolver de forma lenta e inicialmente assintomática, o que torna essencial a realização regular de exames preventivos, como o Papanicolau, que detecta alterações celulares precursoras antes que se tornem invasivas e possibilita tratamento oportuno com altas chances de cura.

As ações de conscientização reforçam que a vacinação contra o HPV, disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), é uma das formas mais eficazes de prevenção primária. A imunização, recomendada para adolescentes, pode prevenir cerca de 70% dos casos de câncer cervical causados pelos tipos de HPV oncogênicos mais comuns, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde.

No Brasil, o INCA estima que serão diagnosticados em média mais de 17 mil novos casos de câncer do colo do útero por ano no triênio 2023-2025, com dezenas de milhares de procedimentos ambulatoriais realizados no Sistema Único de Saúde, o que destaca tanto a magnitude do problema quanto o potencial de respostas preventivas estruturadas.

Especialistas em saúde pública afirmam que a prevenção não é apenas uma questão médica, mas também social e econômica. A ginecologista Dra. Maria Helena Gomes, coordenadora de programas de rastreamento no Brasil, observa que “quando a doença é detectada em estágio inicial por meio de exames periódicos, as chances de tratamento eficaz e de retorno às atividades habituais são muito maiores, reduzindo afastamentos prolongados e fortalecendo a continuidade contributiva no trabalho”.

O impacto social da doença vai além da clínica. Estudos internacionais apontam que sobreviventes de câncer cervical podem enfrentar impactos na qualidade de vida, incluindo alterações na função sexual e bem-estar emocional, o que reforça a importância de políticas integradas de cuidado e suporte psicossocial, inclusive para reintegração ao trabalho e estabilidade familiar.

No plano previdenciário, a educação em saúde assume papel central na redução de afastamentos por incapacidade e na promoção de trajetórias laborais mais estáveis. Para a Guarujá Previdência, autarquia responsável pela previdência social dos servidores públicos municipais de Guarujá, iniciativas como o Março Lilás dialogam diretamente com a promoção de qualidade de vida e fortalecimento da proteção social, pois prevenir doenças contribui para menor incidência de afastamentos prolongados e maior segurança econômica diante de eventos de saúde adversos.

A campanha conclama mulheres a cuidarem de sua saúde de forma contínua: manter vacinação em dia, realizar exames preventivos periódicos, adotar hábitos de vida saudáveis e procurar atendimento médico regularmente. A prevenção, neste mês e ao longo de toda a vida, é ferramenta de autonomia, proteção e dignidade — princípios que norteiam tanto as políticas de saúde quanto os sistemas de proteção social em sociedades modernas.

Direitos das mulheres e proteção social: previdência como instrumento de equidade

Trajetórias profissionais, dupla jornada e violência no trabalho ajudam a explicar regras previdenciárias diferenciadas

Celebrado no último dia 8, o Dia Internacional da Mulher também convida à reflexão sobre políticas públicas voltadas à redução das desigualdades de gênero. Entre essas políticas, a previdência social ocupa lugar relevante ao reconhecer diferenças concretas nas trajetórias profissionais de homens e mulheres e buscar mecanismos que contribuam para maior equidade ao longo da vida laboral.

No Brasil, essas desigualdades aparecem de forma clara na organização do trabalho e do tempo. Pesquisa realizada pelo site InfoJobs divulgada em 2024 indica que oito em cada dez mulheres vivem a chamada dupla jornada, conciliando o trabalho remunerado com tarefas domésticas e cuidados familiares. O levantamento aponta que 83% das mulheres acumulam essas responsabilidades, e cerca de 45% afirmam não contar com rede de apoio ou ajuda de parceiros. 

Dados oficiais reforçam esse quadro. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres dedicam significativamente mais tempo às atividades domésticas e de cuidado do que os homens. Em 2022, elas gastaram cerca de 21,3 horas semanais nessas tarefas, contra 11,7 horas dos homens, quase o dobro. 

Estudos sobre economia do cuidado também apontam que as mulheres continuam responsáveis pela maior parte dessas atividades. Análise publicada no portal Economistas pela Democracia indica que elas realizam mais de 70% das tarefas domésticas e de cuidado, mesmo quando possuem emprego formal. 

Além das desigualdades no trabalho doméstico, a violência e o assédio também afetam de forma desproporcional a trajetória profissional feminina. Dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego apontam que mulheres são as principais vítimas de assédio moral e sexual no ambiente de trabalho, fenômeno que pode gerar afastamentos, prejuízos à carreira e até abandono do emprego. 

Esse contexto ajuda a compreender por que o direito brasileiro adotou o conceito de igualdade material na Constituição Federal de 1988. Diferentemente da igualdade meramente formal, que trata todos de maneira idêntica, a igualdade material reconhece desigualdades sociais concretas e permite a adoção de políticas diferenciadas para promover maior justiça. No campo previdenciário, isso aparece nas regras distintas de aposentadoria entre homens e mulheres.

Nos regimes próprios de previdência social dos servidores públicos, essas diferenças são um exemplo de aplicação prática do princípio da isonomia. No caso do Regime Próprio de Previdência Social do município de Guarujá, regulamentado pela Lei Complementar nº 179/2015, os servidores que já estavam vinculados ao regime antes das alterações trazidas pela Lei Complementar nº 335/2024 continuam sujeitos à regra geral de aposentadoria com idade mínima de 60 anos para homens e 55 anos para mulheres. Professores que cumpram os requisitos específicos previstos no artigo 152 da legislação municipal podem reduzir essas idades em cinco anos.

Para os servidores que ingressaram no regime próprio após a entrada em vigor da Lei Complementar nº 335/2024, a idade mínima passou a ser de 65 anos para homens e 62 anos para mulheres, mantendo-se uma diferença de três anos entre os sexos. As reduções de cinco anos também continuam aplicáveis ao magistério quando atendidos os critérios específicos.

 Ao reconhecer que homens e mulheres enfrentam trajetórias profissionais diferentes — marcadas por desigualdade na divisão do trabalho doméstico, exposição a violência no trabalho e barreiras de carreira — a previdência social busca incorporar mecanismos de proteção que contribuam para maior equilíbrio social ao longo da vida. Assim, mais do que um benefício futuro, a previdência torna-se também instrumento de promoção de direitos e de justiça social.

• “Ser mulher em 2026 é continuar a luta por direitos”, diz jurista Silvia Pimentel

Professora da PUC-SP e ex-presidente do Comitê da ONU para a Eliminação da Discriminação contra a Mulher fala sobre feminismo, envelhecimento ativo e direitos das mulheres

Por Jeferson Peres, analista jornalista GuarujáPrev

No mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, a jurista Silvia Pimentel, professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e uma das principais referências brasileiras em direitos humanos das mulheres, reflete sobre os desafios atuais da luta por igualdade de gênero.

Aos 86 anos, completados em 1º de março, a professora segue em plena atividade acadêmica, lecionando no mestrado em Direito da PUC-SP disciplinas como Crítica Feminista ao Direito, Constitucionalidade e Convencionalidade. Ao longo de sua trajetória, Pimentel também atuou no sistema internacional de direitos humanos, tendo integrado e presidido o Comitê da ONU para a Eliminação da Discriminação contra a Mulher (CEDAW), órgão responsável por monitorar a aplicação da convenção internacional sobre os direitos das mulheres.

Na entrevista, ela afirma que ser mulher em 2026 significa continuar um processo histórico de conquista de direitos. “Ser mulher em 2026, para mim, é continuar a luta que comecei há quase 50 anos”, afirma. Para a professora, os avanços alcançados nas últimas décadas exigem vigilância permanente para que não haja retrocessos.

Pimentel também procura desmistificar o significado do feminismo. “Ser feminista não é ser uma ET. Sou uma mulher, mãe de quatro filhos, avó de sete netos”, diz. Aos 86 anos, ela continua ativa na vida familiar e acadêmica, contando que atualmente também cuida do bisneto de quatro anos, experiência que descreve como fonte de alegria e vitalidade.

A entrevista integra as reflexões do Mês das Mulheres, período dedicado à discussão sobre igualdade de gênero, direitos humanos e participação das mulheres na sociedade.

Endometriose e trabalho: por que falar da doença é também falar de proteção social

Campanha Março Amarelo chama atenção para doença crônica que afeta milhões de mulheres e pode impactar a vida profissional

O mês de março também é marcado pela campanha Março Amarelo, dedicada à conscientização sobre a endometriose, uma doença ginecológica crônica que afeta milhões de mulheres em todo o mundo. Além de provocar dor intensa e impactar a qualidade de vida, a condição pode interferir diretamente na permanência no trabalho e na trajetória profissional — tema que dialoga com políticas de saúde e proteção social.

De acordo com informações divulgadas pelo Ministério da Saúde do Brasil em 2023, a endometriose ocorre quando tecido semelhante ao endométrio — que normalmente reveste o interior do útero — cresce fora da cavidade uterina, provocando inflamação e dor crônica. O órgão estima que a doença afete entre 5% e 15% das mulheres em idade reprodutiva.

No país, a dimensão do problema também é significativa. Estimativas divulgadas em 2022 pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) indicam que cerca de 7 milhões de brasileiras convivem com a endometriose, muitas vezes enfrentando demora no diagnóstico, que pode levar anos desde o início dos sintomas.

Os sintomas variam de intensidade, mas frequentemente incluem cólicas menstruais intensas, dor pélvica crônica, dor durante relações sexuais e dificuldades para engravidar. Informações publicadas em 2021 pela Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que a doença pode atingir também outros órgãos, como intestino e bexiga, ampliando os impactos na saúde física e emocional das pacientes.

Além das consequências clínicas, estudos mostram que a doença pode afetar significativamente a vida profissional. Uma pesquisa internacional coordenada pela pesquisadora Krina T. Zondervan e colaboradores, publicada em 2020 na revista científica The Lancet, apontou que mulheres com endometriose apresentam maior perda de produtividade e podem enfrentar dificuldades para manter rotinas de trabalho devido à dor e aos sintomas associados.

Resultados semelhantes foram observados em estudos sobre qualidade de vida. Pesquisa conduzida pelo médico Maurício Simões Abrão e equipe da Universidade de São Paulo (USP), publicada em 2008 na revista Human Reproduction, indicou que mulheres com endometriose apresentam redução significativa em indicadores de qualidade de vida física e emocional quando comparadas à população feminina geral.

Nesse contexto, campanhas como o Março Amarelo buscam ampliar a informação e estimular o diagnóstico precoce. Para especialistas, reconhecer doenças crônicas que afetam especialmente as mulheres é parte importante de uma política de saúde que também dialoga com o mundo do trabalho e com a proteção social ao longo da vida.

Informar e reduzir o estigma em torno da endometriose é, portanto, um passo importante não apenas para melhorar o acesso ao diagnóstico e tratamento, mas também para garantir condições mais justas de permanência no trabalho e qualidade de vida ao longo da vida ativa.

Câncer colorretal: diagnóstico precoce pode salvar vidas e reduzir impactos sociais do adoecimento

Campanha Março Azul chama atenção para uma das doenças mais incidentes no país e reforça a importância da prevenção

O mês de março também é marcado pela campanha Março Azul, dedicada à conscientização sobre o câncer colorretal, também conhecido como câncer de intestino. A iniciativa busca ampliar o acesso à informação e estimular o diagnóstico precoce de uma doença que está entre as mais incidentes no Brasil e no mundo. Além das consequências para a saúde, o adoecimento pode gerar impactos relevantes na vida social, familiar e profissional das pessoas diagnosticadas.

De acordo com a Estimativa de Incidência de Câncer no Brasil 2023–2025, publicada em 2022 pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer colorretal está entre os tipos mais frequentes da doença no país. O estudo projeta cerca de 45 mil novos casos por ano, sendo aproximadamente 23 mil entre mulheres e 22 mil entre homens.

A doença se desenvolve a partir de alterações nas células do intestino grosso ou do reto e pode evoluir de forma silenciosa por longos períodos. Informações divulgadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2023 indicam que muitos casos começam com pequenos pólipos no intestino que, ao longo do tempo, podem evoluir para tumores malignos.

Para o oncologista Paulo Hoff, presidente da Oncologia D’Or e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), a prevenção e o diagnóstico precoce são fundamentais para reduzir a mortalidade associada à doença. “Quando detectado em estágios iniciais, o câncer colorretal apresenta altas chances de cura. Por isso, exames de rastreamento e atenção aos sintomas são essenciais”, afirma o especialista.

Estudos científicos também destacam a influência de fatores de estilo de vida no desenvolvimento da doença. Pesquisa coordenada pelo epidemiologista Melina Arnold, publicada em 2017 na revista científica Gut, apontou que hábitos como alimentação rica em carnes processadas, sedentarismo, obesidade e consumo excessivo de álcool estão entre os fatores associados ao aumento do risco de câncer colorretal.

Além dos impactos clínicos, o câncer também pode gerar consequências importantes na vida profissional e econômica das pessoas afetadas. Um estudo conduzido por Angela Mariotto e colaboradores, publicado em 2020 no Journal of the National Cancer Institute, demonstrou que doenças oncológicas frequentemente estão associadas a períodos de afastamento do trabalho, redução da produtividade e necessidade de tratamentos prolongados.

Para o médico Luiz Augusto Maltoni, diretor executivo da Fundação do Câncer, a informação é uma das principais ferramentas para reduzir os efeitos da doença. “Falar sobre prevenção, diagnóstico precoce e acesso ao tratamento é essencial para diminuir o impacto do câncer na vida das pessoas e na sociedade”, destacou o especialista.

Segundo o INCA (2022), quando identificado precocemente, o câncer colorretal apresenta taxas elevadas de cura. Nesse contexto, campanhas como o Março Azul buscam estimular hábitos preventivos, ampliar a informação sobre a doença e incentivar a realização de exames de rastreamento, especialmente entre pessoas com maior risco.

A conscientização sobre o câncer colorretal, portanto, não se limita à dimensão clínica. Informar, prevenir e facilitar o acesso ao diagnóstico precoce contribui para reduzir os impactos sociais e econômicos do adoecimento e preservar a qualidade de vida ao longo da vida ativa da população.

Saúde mental feminina: sobrecarga, assédio e proteção social

No mês das mulheres, debate sobre trabalho de cuidado, violência no trabalho e adoecimento psíquico ajuda a entender por que saúde mental também é tema de previdência

Falar de saúde mental feminina é falar de uma realidade que combina sobrecarga de trabalho, responsabilidades de cuidado e, muitas vezes, violência e assédio no ambiente profissional. Esse cenário não produz apenas sofrimento emocional imediato: ele pode comprometer permanência laboral, renda, vínculos profissionais e, em situações mais graves, levar ao afastamento ou à aposentadoria por incapacidade. É por isso que o tema interessa também à previdência social, especialmente quando se discute envelhecimento saudável e proteção ao longo da vida. 

A Convenção nº 190 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), aprovada em 2019 e assinada pelo Brasil tornou-se referência internacional justamente por tratar violência e assédio como questões de direitos humanos, igualdade e saúde e segurança no trabalho. Em material introdutório publicado em 2024, o Grupo de Pesquisa Trabalho e Desenvolvimento (GPTD) da FGV Direito SP, coordenado por Olívia de Quintana Figueiredo Pasqualeto, explica que a Convenção adota conceito amplo de violência e assédio, abrangendo condutas únicas ou repetidas, inclusive com base no gênero, e alcançando tanto o setor público quanto o privado.   

Em relatório de pesquisa publicado em 2025, também coordenado por Pasqualeto, a equipe analisou 651 acórdãos dos Tribunais Regionais do Trabalho e do Tribunal Superior do Trabalho, proferidos em 2023 e 2024, que mencionaram a Convenção 190. No recorte do assédio moral, a pesquisa encontrou 570 decisões, das quais 331 tinham mulheres como vítimas e 219, homens. No assédio sexual, entre 68 decisões analisadas, 63 tinham mulheres como vítimas, enquanto 67 apontavam homens como agressores, o que levou o relatório a concluir que há “persistente assimetria de gênero nas relações laborais”.   

 Essa desigualdade de gênero no mundo do trabalho não se explica apenas pelo assédio, mas também pela distribuição desigual do cuidado. A primeira pesquisa global sobre violência e assédio no trabalho, divulgada em 2022 pela OIT, pela Lloyd’s Register Foundation e pela Gallup, mostrou que mais de uma em cada cinco pessoas ocupadas no mundo já sofreu violência ou assédio no trabalho. O próprio relatório da FGV observa que a Convenção 190 reconhece que mulheres são desproporcionalmente afetadas por essas práticas, o que pode dificultar ascensão, permanência e progressão profissional.   

No campo previdenciário, os reflexos desse adoecimento aparecem de forma concreta. Em levantamento produzido em 2026 pela São Paulo Previdência (SPPREV) — autarquia responsável pela gestão dos benefícios previdenciários dos servidores públicos do Estado de São Paulo —, com dados do SIGEPREV sobre aposentadorias civis por incapacidade permanente concedidas entre 2020 e 2025, houve 672 concessões no período, das quais 262 estavam relacionadas a diagnósticos classificados entre F00 e F99 da CID-10. A CID-10, sigla para Classificação Internacional de Doenças, é o sistema internacional de codificação diagnóstica; no seu Capítulo V, os códigos F00 a F99 correspondem aos transtornos mentais e comportamentais, categoria que inclui, por exemplo, demências, depressão, ansiedade, esquizofrenia e transtornos relacionados ao uso de álcool e outras substâncias.     

Nesse universo analisado pela SPPREV, as mulheres somaram 393 concessões no total e 151 entre os casos ligados aos códigos F00-F99, superando os homens em ambos os recortes. A faixa etária com maior concentração foi a de 40 a 59 anos, com 454 concessões totais e 196 relacionadas a transtornos mentais e comportamentais. Esses dados ajudam a mostrar que saúde mental não é tema periférico: quando combinadas, sobrecarga emocional, trabalho de cuidado, ambientes laborais hostis e violência de gênero podem comprometer a saúde psíquica de mulheres em plena idade produtiva.   

Esse debate ganha ainda mais atualidade com a NR-1, norma do Ministério do Trabalho e Emprego que organiza as diretrizes gerais de segurança e saúde no trabalho e o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). A atualização recente passou a incluir expressamente os riscos psicossociais relacionados ao trabalho nesse gerenciamento, o que abrange fatores como pressão excessiva, assédio, conflitos interpessoais e organização inadequada do trabalho. Ainda que as normas regulamentadoras tenham origem na CLT, a mudança reforça uma diretriz contemporânea de prevenção: saúde mental precisa ser tratada como tema de gestão do ambiente laboral, inclusive como boa prática institucional no setor público. 

Em notícia publicada em 2024, a Fundacentro — Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho, instituição pública federal vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego e dedicada a estudos sobre saúde e segurança do trabalhador, destacou que, segundo dados da Previdência Social, as mulheres responderam por 59,98% das doenças ocupacionais em 2021 e por 65,67% em 2020. No mês das mulheres, a reflexão proposta é clara: proteger a saúde mental feminina também é fortalecer permanência laboral, autonomia econômica e envelhecimento digno. Para a previdência, isso significa reconhecer que educação previdenciária, prevenção de riscos psicossociais, combate ao assédio e valorização das redes de cuidado não são temas separados, mas partes de uma mesma agenda de proteção social.  

Saúde hoje, proteção amanhã: prevenção como estratégia de futuro

Cuidar da saúde ao longo da vida também é uma forma de planejamento, com reflexos diretos na capacidade laboral, na qualidade de vida e na proteção social do futuro 

Planejar o futuro não é apenas organizar finanças, acompanhar regras previdenciárias ou calcular tempo de contribuição. Também significa cuidar da saúde de forma contínua, porque prevenção, diagnóstico precoce e hábitos saudáveis influenciam diretamente a qualidade de vida, a permanência no trabalho e as condições de envelhecimento. No campo da proteção social, essa lógica é cada vez mais evidente: quanto mais cedo se investe em cuidado, maiores são as chances de atravessar a vida laboral com autonomia e chegar à aposentadoria com mais segurança.

Essa relação entre prevenção e futuro aparece com força nas políticas públicas de saúde. O Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas e Agravos Não Transmissíveis no Brasil 2021–2030, publicado pelo Ministério da Saúde em 2021, afirma que o país precisa fortalecer ações integradas e sustentáveis para prevenir e controlar doenças cardiovasculares, câncer, doenças respiratórias crônicas e diabetes, além de seus fatores de risco, como tabagismo, alimentação inadequada, consumo abusivo de álcool e sedentarismo. 

No plano internacional, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reforça que as doenças crônicas não transmissíveis continuam sendo a principal causa de morte no mundo. Em sua ficha técnica atualizada em setembro de 2025, a OMS informa que essas doenças respondem por 74% de todos os óbitos globais, e que a prevenção depende justamente da redução dos principais fatores de risco modificáveis: tabaco, inatividade física, alimentação não saudável e uso nocivo de álcool.  A mensagem é clara: grande parte do adoecimento que afeta a vida adulta e a velhice pode ser enfrentada antes que se transforme em incapacidade, sofrimento prolongado ou perda de autonomia.

A prevenção ganha ainda mais relevância em um país que envelhece. Segundo as Tábuas Completas de Mortalidade 2024, divulgadas pelo IBGE em novembro de 2025, a expectativa de vida ao nascer no Brasil chegou a 76,6 anos. No mesmo levantamento, a expectativa de vida feminina alcançou 79,9 anos, enquanto a masculina ficou em 73,3 anos.  Esses números mostram uma conquista social importante, mas também impõem um desafio: viver mais exige pensar em como viver melhor, com capacidade funcional, independência e proteção ao longo das etapas da vida.

No campo previdenciário, a cultura do cuidado dialoga diretamente com a educação previdenciária. Quando uma pessoa compreende que hábitos de vida, acompanhamento médico regular e atenção à saúde mental influenciam sua permanência laboral e sua qualidade de vida no pós-trabalho, ela amplia a noção de planejamento. A prevenção não substitui a previdência, mas fortalece a capacidade de usufruí-la com mais autonomia. Em publicação de 2024, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) observou que sistemas de proteção social voltados ao envelhecimento saudável dependem de transições melhor coordenadas entre trabalho, saúde e aposentadoria. 

Esse raciocínio vale tanto para a vida ativa quanto para a aposentadoria. A OMS, em sua ficha sobre envelhecimento e saúde, atualizada em outubro de 2025, define envelhecimento saudável como o processo de desenvolver e manter a capacidade funcional que permite bem-estar na velhice.  Em outras palavras, envelhecer bem não é apenas viver mais anos, mas preservar condições para participar da vida social, manter vínculos, realizar atividades e exercer escolhas com dignidade.

Para a Guarujá Previdência, autarquia responsável pela previdência social dos servidores públicos municipais de Guarujá, esse debate reforça que educação previdenciária e prevenção caminham juntas. Falar de proteção social também é incentivar uma cultura de cuidado ao longo da vida, em que saúde física, saúde mental e planejamento de futuro se articulam. A mensagem que fica é simples, mas decisiva: cuidar da saúde hoje é uma das formas mais concretas de proteger o amanhã.

Autarquia destacou regularidade dos repasses previdenciários, desempenho positivo dos investimentos acima da meta atuarial e continuidade do acompanhamento técnico das informações financeiras

A GuarujáPrev apresentou ao Conselho Fiscal, durante reunião realizada em 25 de fevereiro, o relatório mensal da Diretoria Executiva referente a janeiro de 2026, que foi aprovado por unanimidade pelo colegiado. A análise reconheceu a consistência das informações apresentadas e o cumprimento das obrigações previdenciárias, com o registro de uma ressalva de caráter procedimental, relacionada à apreciação complementar de extratos bancários e relatórios contábeis em reunião subsequente.

Ao conduzir a prestação de contas mensal, a autarquia reafirmou seu compromisso permanente com a transparência, a governança e o equilíbrio financeiro e atuarial do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) dos servidores municipais de Guarujá.

Entre os principais destaques do relatório, o Conselho Fiscal registrou a regularidade dos repasses previdenciários efetuados pela Prefeitura, pela Câmara Municipal e pela própria Guarujá Previdência, todos realizados dentro dos prazos legais conforme as informações encaminhadas. Também foram acompanhadas as contribuições de servidores ativos, inativos e pensionistas, além dos valores referentes a servidores cedidos, evidenciando o monitoramento contínuo da arrecadação previdenciária.

No mês de janeiro, a Guarujá Previdência assegurou o pagamento de 1.245 benefícios previdenciários, sendo 1.062 aposentadorias e 183 pensões por morte, garantindo a manutenção da renda de beneficiários e seus dependentes. O relatório apontou ainda uma arrecadação líquida de R$ 1.823.626,90 por meio do Comprev, mecanismo de compensação previdenciária entre regimes, reforçando a importância desse instrumento para o equilíbrio financeiro do sistema.

A gestão dos parcelamentos previdenciários também integrou a análise. Foram informados os repasses da Prefeitura relativos a acordos firmados em exercícios anteriores, envolvendo contribuições patronais, multas, juros e valores de déficit atuarial, todos registrados como quitados dentro dos prazos estabelecidos, o que contribui para a sustentabilidade do regime.

Outro ponto de destaque foi o desempenho da política de investimentos da GuarujáPrev. Conforme o relatório e as deliberações do Comitê de Investimentos, as aplicações permaneceram enquadradas nos limites legais e nas diretrizes da política vigente. Em janeiro de 2026, a carteira apresentou rentabilidade positiva de R$ 19.732.149,67, equivalente a 1,12% no mês, superando a meta atuarial mensal de 0,81%, resultado que reforça a eficiência da estratégia adotada.

Durante a reunião, o Conselho Fiscal indicou que a análise detalhada dos extratos bancários, dos depósitos em tesouraria e das disponibilidades em caixa será realizada de forma complementar, após a apresentação desses documentos juntamente com os relatórios contábeis correspondentes. A providência será tratada na próxima reunião ordinária, como parte do fluxo regular de fiscalização e acompanhamento técnico.

Com a aprovação do relatório, a Guarujá Previdência segue fortalecendo suas práticas de controle, transparência e responsabilidade na gestão dos recursos previdenciários, em alinhamento às atribuições legais do Conselho Fiscal e às diretrizes da administração pública. A próxima reunião ordinária do colegiado está prevista para o dia 25 de março de 2026.

Evento promovido pela Associação Nacional de Entidades de Previdência dos Estados e Municípios (ANEPREM) terminou nesta sexta-feira (13) em Maceió/AL. Autarquia recebeu troféu do 8º Prêmio Nacional de Inovação Previdenciária por qualidade no relacionamento com a sociedade

Uma comitiva da GuarujáPrev, autarquia responsável pelo regime de previdência social dos servidores públicos municipais de Guarujá, participou nesta semana do 4º Congresso Nacional de Conselheiros e Gestores, em Maceió/AL.

O evento promovido pela Associação Nacional de Entidades de Previdência dos Estados e Municípios (ANEPREM) tem o objetivo de expandir o intercâmbio entre gestores previdenciários, oferecendo conteúdo técnico aprofundado e unindo a categoria na defesa dos interesses dos RPPS do País.

Dentre os assuntos debatidos no evento, a relevância dos Tribunais de Contas na gestão dos RPPS, Pró-Gestão, uso da tecnologia na gestão previdenciária, controle interno, políticas de investimentos, entre outros.

Premiação

Durante o congresso, houve a entrega do 8º Prêmio Nacional de Inovação Previdenciária da ANEPREM, que tem por objetivo estimular, reconhecer e premiar as Unidades Gestoras de RPPS que, comprovadamente, desenvolveram ações inovadoras em 2025/2026, proporcionando melhorias na gestão previdenciária nas categorias de Transformação Digital, Segurados e Relacionamento com a Sociedade. A GuarujáPrev ficou entre os 10 principais RPPS do País na categoria “relacionamento com a sociedade”, alcançando o 9º lugar.

O diretor presidente da autarquia recebeu o troféu em nome dos conselheiros, diretores, técnicos e segurados do RPPS. “Seguimos fazendo da GuarujáPrev um exemplo de gestão previdenciária, acumulando reconhecimentos e premiações. Quem ganha é o nosso segurado, que tem um regime próprio cada vez mais sólido e preparado para o futuro”, afirmou Edler Antonio da Silva.

Guarujá sediará evento da ANEPREM

Durante o evento, foi anunciado que Guarujá sediará, de 29 a 31 de julho, o 5º Seminário Nacional de Investimentos da ANEPREM, em local a ser anunciado.

Edler, que também é titular do Conselho de Administração da Associação, destaca a importância da cidade receber um congresso nacional previdenciário. “Vamos receber gestores de todo o País e mostrar, presencialmente, o trabalho do RPPS de Guarujá que a tornou referência nacional. Além disso, será um evento que irá mobilizar toda a rede hoteleira e a economia local, o que é muito importante para o turismo de negócios de nosso município”, completou.

De acordo com o diretor presidente da GuarujáPrev, a autarquia está em tratativas com a ANEPREM para que todos os servidores municipais que possuam certificação em RPPS possam participar do evento.

Representantes da autarquia participam de palestras, treinamentos e qualificações no evento promovido em Florianópolis/SC pela Associação Brasileira de Instituições de Previdência Estaduais e Municipais – ABIPEM

Uma comitiva da GuarujáPrev, autarquia responsável pela previdência social dos servidores públicos municipais de Guarujá, participa nesta semana do 8º Congresso Brasileiro de Investimentos dos RPPS, realizado pela Associação Brasileira de Instituições de Previdência Estaduais e Municipais (ABIPEM) em Florianópolis, Santa Catarina.

O evento tem uma ampla agenda técnica de painéis e palestras, para adquirir conhecimentos sobre investimentos para RPPS, conhecer detalhadamente as alterações na Legislação e interagir com Gestores de RPPS, Gestores Municipais, Membros dos Tribunais de Contas, Contadores, Atuários, Secretários de Finanças e de Administração e os Especialistas em Investimentos mais renomados do Brasil.

Entre os assuntos abordados com profundidade, temas como Operação com Consignados, Controle externo e os investimentos dos RPPS, Investimentos diretos em ativos privados – elegibilidade e critérios de seleção, Acompanhamento contábil dos investimentos, entre outros.

O diretor presidente da GuarujáPrev, Edler Antonio da Silva, destaca que o evento da ABIPEM tem uma carga técnica intensa, para abordar em todos os detalhes um dos itens cruciais do sucesso de um regime próprio. “Garantir recursos para o pagamento de benefícios para as próximas décadas é a preocupação primordial dos gestores de um RPPS. Por isso temos representantes da nossa autarquia neste evento, aprendendo com especialistas de renome nacional as principais novidades e práticas de sucesso nas políticas de investimentos”, afirmou. “É uma grande oportunidade de troca de experiências, levando os bons exemplos que temos realizado em Guarujá, garantindo uma boa carteira de investimentos, atualmente com R$ 1,8 bilhões alocados principalmente em títulos públicos e fundos de investimentos que asseguram a solidez do nosso regime”, completa.

8º Prêmio Nacional de Inovação Previdenciária da Associação Nacional de Entidades de Previdência dos Estados e Municípios (ANEPREM) é um dos principais do setor previdenciário no Brasil

A GuarujáPrev, autarquia responsável pelo regime de previdência social dos servidores públicos municipais de Guarujá, ficou entre os 10 principais RPPS do País na categoria “relacionamento com a sociedade”, no 8º Prêmio Nacional de Inovação Previdenciária, organizado pela Associação Nacional de Entidades de Previdência dos Estados e Municípios (ANEPREM), e divulgado na última segunda-feira (2/3).

O prêmio tem por objetivo estimular, reconhecer e premiar as Unidades Gestoras de RPPS que, comprovadamente, desenvolveram ações inovadoras em 2025/2026, proporcionando melhorias na gestão previdenciária nas categorias de Transformação Digital, Segurados e Relacionamento com a Sociedade.

O RPPS de Guarujá ficou em 9º lugar na terceira categoria, que avalia critérios como Transparência, ESG (impacto ambiental, social e de governança), responsabilidade social e comunicação, reforçando o papel social das autarquias previdenciárias em proteger o patrimônio dos segurados e contribuir para um sistema mais ético e sustentável.

Foram avaliados regimes próprios de todo o País, o que mais uma vez coloca a GuarujáPrev como referência nacional em qualidade no atendimento a seus segurados. “Com muito esforço e trabalho de nossos servidores, segurados, gestores, conselheiros e diretores, seguimos levando o nome da nossa cidade a todos os cantos do Brasil, como um exemplo de RPPS. Vamos continuar nos aprimorando e buscando a excelência na gestão”, diz Edler Antonio da Silva, diretor presidente da GuarujáPrev.

Autarquia orienta que segurados salvem os novos contatos específicos para benefícios/serviços, cadastro/recadastramento e serviço social

A GuarujáPrev, autarquia responsável pelo regime de previdência social dos servidores públicos municipais de Guarujá, está descentralizando o atendimento aos seus segurados, com o objetivo de dinamizar o serviço e agilizar as principais solicitações. Para isso, recomenda que os servidores, aposentados e pensionistas salvem em seus contatos os novos números de atendimento para cada situação.

O número (13) 3343-9050, já conhecido pelos segurados, agora é destinado a benefícios e serviços, como requerimento de aposentadoria, abono de permanência, pensão por morte, emissão de Certidão de Tempo de Contribuição (CTC), Averbação de CTC, solicitação de esclarecimentos/pedido de informações diversas, contracheque, Informe de Rendimentos, comunicação de óbito.

O número (13) 3343-9051 será específico para cadastro e recadastramento, incluindo os serviços: cadastro de novos servidores (FCI), recadastramento e prova de vida, prova de vida realizado por meio do app gov.br, recadastramento especial (autorização de desconto na ocasião da prova de vida).

O contato (13) 3343-9054 será relacionado ao Serviço Social, para informações sobre aposentadoria por invalidez, Isenção de imposto de renda, avaliação de grau de deficiência, aposentadoria do servidor com deficiência, Informações de perícia médica e prova de vida para aposentados ou pensionistas com impedimento.

Para facilitar a distinção de cada número por parte dos segurados, os contatos terão cores específicas nos seus ícones de identificação no WhatsApp. “Agora nossos segurados terão um atendimento específico, de acordo com suas demandas. Assim, esperamos agilizar as principais solicitações, mobilizando equipes para cada contato e melhorando a experiência dos servidores, aposentados e pensionistas”, explica o diretor presidente da GuarujáPrev, Edler Antonio da Silva.

Campanha mobilizou ações de conscientização sobre Alzheimer, fibromialgia, lúpus e leucemia, destacando impactos na qualidade de vida e na organização familiar e previdenciária

Ao longo do mês, a campanha Fevereiro Roxo e Laranja ampliou o debate público sobre doenças crônicas e hematológicas que afetam milhões de brasileiros, reforçando a importância do diagnóstico precoce, do tratamento contínuo e do combate ao estigma. A mobilização reuniu iniciativas de informação e sensibilização sobre Alzheimer, fibromialgia e lúpus, simbolizados pelo roxo, e sobre a leucemia, representada pela cor laranja, chamando atenção para sinais de alerta, redes de cuidado e políticas de proteção social.

No campo neurológico, o Alzheimer permanece como uma das principais causas de dependência funcional na velhice. Dados de entidades médicas e organismos internacionais indicam crescimento acelerado do número de casos em razão do envelhecimento populacional. A progressão da doença exige reorganização familiar, suporte psicossocial e planejamento de longo prazo, uma vez que a perda de autonomia impacta diretamente a renda, a capacidade laboral e a dinâmica de cuidados dentro dos lares.

Já no caso da fibromialgia e do lúpus, o desafio envolve tanto o controle clínico quanto o reconhecimento social das limitações impostas por condições muitas vezes invisibilizadas. A dor crônica, a fadiga intensa e as alterações cognitivas associadas à fibromialgia, bem como as manifestações sistêmicas do lúpus, podem comprometer a permanência no trabalho e a qualidade de vida. Avanços normativos recentes têm buscado ampliar o reconhecimento dessas condições no campo dos direitos da pessoa com deficiência, sempre condicionados à avaliação biopsicossocial multiprofissional, conforme parâmetros da legislação inclusiva.

No eixo oncológico, a leucemia segue demandando atenção especial das políticas públicas de saúde. O diagnóstico precoce amplia significativamente as chances de sucesso terapêutico, sobretudo diante da evolução dos tratamentos hematológicos. Para o médico Drauzio Varella, oncologista e divulgador científico, campanhas de conscientização cumprem papel decisivo na redução da mortalidade, pois “informação de qualidade leva as pessoas a procurar atendimento mais cedo, e isso salva vidas”.

Além dos aspectos clínicos, a campanha também evidenciou dimensões sociais frequentemente menos debatidas. Doenças crônicas e degenerativas podem alterar trajetórias profissionais, antecipar afastamentos e exigir reorganização financeira das famílias. Nesse contexto, mecanismos de proteção social, como benefícios previdenciários, aposentadorias específicas, auxílios por incapacidade e pensões, tornam-se instrumentos fundamentais de garantia de dignidade, continuidade de renda e estabilidade familiar.

Especialistas em envelhecimento ressaltam que o cuidado integral precisa ir além do tratamento médico. Envolve acesso à informação, suporte emocional, redes comunitárias e planejamento de vida. A integração entre saúde e proteção social permite que o enfrentamento da doença ocorra com menor vulnerabilidade econômica e maior segurança para pacientes e familiares.

Ao encerrar o Fevereiro Roxo e Laranja, a principal mensagem reforçada pela campanha é a de que informação, acolhimento e prevenção caminham juntos. Falar sobre essas condições é ampliar diagnósticos precoces, combater preconceitos e fortalecer políticas públicas capazes de assegurar não apenas tratamento, mas também proteção social e envelhecimento com dignidade.

Encontro debateu governança, investimentos, certificação institucional e planejamento atuarial do regime próprio

A GuarujáPrev, autarquia responsável pela previdência social dos servidores públicos municipais de Guarujá, realizou no dia 9 de fevereiro a 2ª Reunião Ordinária de 2026 do Conselho de Administração. O encontro ocorreu na Sala de Reuniões “Luís Fernando Scalzitti Fioretti”, na sede da autarquia, reunindo conselheiros representantes dos servidores ativos, inativos e da Administração Municipal, além de dirigentes e técnicos convidados.

A abertura dos trabalhos foi precedida pela verificação de quórum regimental e comunicações iniciais da Mesa Diretora. Entre os informes, destacou-se a realização, no período da manhã, de reunião conjunta dos órgãos de governança da Autarquia, que abordou temas como alterações no Manual do Pró-Gestão, planejamento de congressos, certificação profissional no âmbito dos RPPS, integralidade e paridade de benefícios, além do planejamento atuarial e diretrizes de atendimento aos segurados.

Um dos pontos de maior relevância institucional discutidos na fase de expediente foi a atualização das regras do Programa Pró-Gestão. As mudanças podem impactar diretamente a manutenção do nível IV de certificação da Autarquia, especialmente diante da nova exigência de experiência profissional mínima individual de quatro anos para dirigentes. A Presidência falou da necessidade de articulação com o Governo Municipal ao longo do primeiro semestre, com vistas à adoção de medidas que assegurem a continuidade do enquadramento no mais alto nível de certificação.

Na Ordem do Dia, o Comitê de Investimentos apresentou o resultado da carteira referente ao 4º trimestre de 2025. A exposição técnica destacou a superação da meta atuarial projetada para o exercício, evidenciando desempenho positivo das aplicações. Na sequência, foram prestados esclarecimentos sobre os impactos da nova Resolução do Conselho Monetário Nacional na Política de Investimentos de 2026, com foco na adequação estratégica e na segurança dos ativos previdenciários.

O colegiado também analisou o Relatório Mensal de Atividades do Conselho Fiscal e a ata relativa ao Relatório de Governança Corporativa de dezembro de 2025, aprovados por unanimidade. Durante a discussão, conselheiros ressaltaram o esforço da Administração Municipal na regularidade dos repasses previdenciários ao longo de 2025, incluindo a quitação tempestiva de parcelamentos anteriores, medida considerada relevante para o equilíbrio financeiro do regime.

Outro item pautado tratou das avaliações atuariais destinadas à definição do plano de custeio do sistema previdenciário. Considerando a necessidade de aprofundamento técnico e discussão conjunta com o atuário responsável, o Conselho deliberou pelo sobrestamento do tema, que deverá retornar à pauta após reunião integrada entre os órgãos de governança.

Ao final, foram abordados assuntos gerais, entre eles reflexões sobre transparência institucional e uso responsável de informações públicas em redes sociais. Encerrados os trabalhos, ficou agendada a próxima reunião ordinária para o dia 6 de março de 2026, dando continuidade às agendas estratégicas de gestão, sustentabilidade atuarial e fortalecimento da governança previdenciária municipal.

Planejamento de vida, cuidado contínuo e educação previdenciária moldam trajetórias mais seguras no presente e no pós-trabalho

Cuidar da saúde não é apenas uma decisão individual de bem-estar imediato. É também uma escolha com impactos diretos no futuro social, econômico e previdenciário das pessoas. A prevenção de doenças, a adoção de hábitos saudáveis e o acompanhamento médico regular influenciam não só a qualidade de vida, mas a própria capacidade laboral, a estabilidade financeira e o momento de acesso à aposentadoria.

No campo da proteção social, especialistas apontam que a cultura do cuidado é um dos pilares do envelhecimento digno. Doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes, hipertensão, cardiopatias e transtornos mentais, figuram entre as principais causas de afastamentos prolongados do trabalho e concessões de benefícios por incapacidade, produzindo efeitos que alcançam não apenas o indivíduo, mas toda a organização previdenciária familiar.

Prevenção como política de futuro

Estudos epidemiológicos do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde indicam que grande parte das doenças crônicas pode ser evitada ou ter seus efeitos significativamente reduzidos por meio de políticas preventivas e mudanças comportamentais. Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, vacinação, acompanhamento clínico e atenção à saúde mental integram um conjunto de medidas capazes de ampliar a longevidade com autonomia.

No plano previdenciário, essa lógica se traduz em trajetórias contributivas mais estáveis, menor incidência de aposentadorias precoces por incapacidade e maior possibilidade de planejamento voluntário do momento de saída do trabalho. A prevenção, nesse sentido, deixa de ser apenas uma pauta sanitária e passa a ser também uma estratégia de sustentabilidade social.

Educação previdenciária e cultura do cuidado

A educação previdenciária tem papel central nesse processo ao ampliar a compreensão de que proteção social não começa na aposentadoria, mas ao longo de toda a vida laboral. Informar sobre direitos, deveres, riscos sociais e mecanismos de proteção permite que servidores e trabalhadores façam escolhas mais conscientes sobre saúde, carreira e futuro financeiro.

Ao integrar saúde e planejamento, a previdência reforça seu caráter pedagógico, estimulando a construção de uma cultura de cuidado que envolve não apenas o indivíduo, mas também sua família e rede de apoio. A prevenção, nesse contexto, funciona como ferramenta de autonomia e segurança social.

Impactos no pós-aposentadoria

Os efeitos das escolhas preventivas se tornam ainda mais visíveis após a aposentadoria. Servidores que chegam a essa etapa com melhor condição física e emocional tendem a manter maior participação social, independência funcional e qualidade de vida, reduzindo demandas por cuidados intensivos e fortalecendo vínculos comunitários.

Esse cenário dialoga com o direito ao envelhecimento digno, previsto no ordenamento jurídico brasileiro e em tratados internacionais de direitos humanos, ao reconhecer que saúde, proteção social e participação ativa são dimensões indissociáveis da cidadania na velhice.

Proteção social começa antes do benefício

Ao aproximar prevenção e previdência, consolida-se a compreensão de que o futuro não se constrói apenas com tempo de contribuição, mas também com condições reais de viver bem esse tempo. A cultura do cuidado, quando incorporada ao cotidiano, transforma-se em instrumento de justiça social, reduz desigualdades em saúde e fortalece a função protetiva dos regimes previdenciários.

Planejar o amanhã, portanto, passa necessariamente por cuidar do presente, uma equação em que saúde e proteção social caminham lado a lado na construção de trajetórias mais seguras e humanas.

O Dia Nacional de Combate ao Alcoolismo, lembrado no último dia 18 de fevereiro, integra o calendário brasileiro de saúde como momento de conscientização sobre os riscos do consumo abusivo de álcool e a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do acesso ao tratamento. Considerado um problema de saúde pública, o alcoolismo — hoje classificado cientificamente como Transtorno por Uso de Álcool — afeta não apenas a saúde física e mental, mas também relações sociais, vínculos profissionais e a estabilidade econômica das famílias.

Dados recentes do Ministério da Saúde, com base em levantamentos como o Vigitel, indicam que o consumo abusivo de bebidas alcoólicas permanece elevado no país, especialmente entre adultos em idade produtiva. A Organização Mundial da Saúde (OMS) também aponta o álcool como fator de risco relevante para mais de 200 doenças e agravos, incluindo doenças hepáticas, cardiovasculares, transtornos mentais, cânceres e acidentes.

O psiquiatra Arthur Guerra de Andrade, referência nacional em dependência química e professor da Faculdade de Medicina da USP, destaca que o alcoolismo precisa ser compreendido como condição de saúde e não como falha moral. “O transtorno por uso de álcool é uma doença crônica, multifatorial, que envolve aspectos biológicos, psicológicos e sociais. O tratamento existe e quanto mais cedo ele começa, maiores são as chances de recuperação”, afirma o especialista.

Além dos impactos clínicos, o alcoolismo está associado a afastamentos laborais, perda de produtividade, acidentes de trabalho e incapacidades temporárias ou permanentes. Estudos epidemiológicos brasileiros indicam que o uso nocivo de álcool figura entre as causas indiretas relevantes de concessão de benefícios por incapacidade, seja por comorbidades psiquiátricas, seja por doenças orgânicas relacionadas ao consumo prolongado.

Repercussões sociais e familiares

O consumo abusivo também reorganiza a dinâmica familiar. Sobrecarga emocional, instabilidade financeira e necessidade de cuidados contínuos são fatores frequentemente observados em núcleos familiares que convivem com a dependência. Pesquisas em saúde mental apontam maior incidência de ansiedade, depressão e estresse entre familiares de pessoas com transtorno por uso de álcool, evidenciando que o cuidado precisa ser ampliado para além do indivíduo.

Essa dimensão coletiva do alcoolismo reforça a importância de políticas públicas de prevenção, acolhimento e reinserção social. A Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), no âmbito do SUS, atua por meio de equipamentos como os Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD), que oferecem acompanhamento multiprofissional e estratégias de reabilitação psicossocial.

Saúde, trabalho e proteção previdenciária

Quando o alcoolismo repercute na capacidade laboral, seus efeitos alcançam também a esfera da proteção social. Afastamentos, licenças médicas e eventuais aposentadorias por incapacidade são situações que exigem avaliação técnica e acompanhamento institucional, sempre com foco na reabilitação e no cuidado integral do servidor ou segurado.

Para a Guarujá Previdência, autarquia responsável pela previdência social dos servidores públicos municipais de Guarujá, a conscientização sobre saúde mental e dependência química integra o campo mais amplo da educação previdenciária. Falar de prevenção significa também reduzir riscos futuros, preservar a capacidade laboral e fortalecer trajetórias profissionais mais saudáveis e sustentáveis.

Prevenção como política de vida

Especialistas são unânimes em apontar que informação qualificada é ferramenta central no enfrentamento ao alcoolismo. Estratégias como redução de danos, acompanhamento psicológico, grupos terapêuticos e apoio familiar apresentam resultados consistentes na literatura científica internacional.

O Dia Nacional de Combate ao Alcoolismo, portanto, não se limita a uma data simbólica. Ele convida à reflexão sobre hábitos, redes de apoio e políticas de cuidado que impactam diretamente a saúde pública, o mundo do trabalho e a proteção social. Ao ampliar o debate, campanhas educativas contribuem para romper estigmas, estimular a busca por tratamento e promover uma cultura de cuidado contínuo ao longo da vida.


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