Abril Azul e Abril Verde unem conscientização, prevenção e proteção social, em temas que dialogam diretamente com a vida laboral e com o futuro previdenciário

Por Jeferson Peres

Abril teve duas campanhas de forte relevância social: o Abril Azul, dedicado à conscientização sobre o autismo, e o Abril Verde, voltado à promoção da saúde e da segurança no trabalho. Em comum, as duas agendas reforçam uma ideia central para a proteção social: prevenir, informar e cuidar desde cedo é essencial para garantir inclusão, autonomia e qualidade de vida ao longo de toda a trajetória laboral. 

No caso do Abril Azul, o marco internacional é o Dia Mundial da Conscientização sobre o Autismo, celebrado em 2 de abril por iniciativa das Nações Unidas. A proposta é ampliar a compreensão pública sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), combater o preconceito e estimular políticas mais inclusivas nas áreas de saúde, educação, acessibilidade e trabalho. Neste ano, a própria ONU destacou que o debate sobre neurodiversidade envolve temas como saúde inclusiva, educação de qualidade e acessibilidade no local de trabalho. 

No Brasil, o tema também tem repercussões jurídicas e sociais relevantes. A Lei nº 12.764/2012 instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, e o ordenamento brasileiro reconhece o autismo como deficiência para fins legais, o que amplia o acesso a políticas públicas, proteção social e direitos específicos. Esse reconhecimento tem impacto direto no debate previdenciário, sobretudo quando se considera a proteção da pessoa com deficiência e o papel da rede familiar de cuidado ao longo da vida. 

ABRIL VERDE

Já o Abril Verde chama atenção para a prevenção de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho. A campanha está associada ao Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho, celebrado em 28 de abril, e busca fortalecer a cultura de prevenção em ambientes laborais. A ONU destaca que conscientização, prevenção e diálogo social são elementos centrais para reduzir a incidência de acidentes, doenças ocupacionais e mortes relacionadas ao trabalho. No Brasil, a Fundacentro tem reiterado que a campanha também deve incluir a discussão sobre saúde mental e riscos psicossociais. 

Esse ponto ganha ainda mais importância diante da atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passou a incluir expressamente os fatores de risco psicossociais no gerenciamento de riscos ocupacionais. A mudança reforça que saúde e segurança no trabalho não se limitam a acidentes visíveis ou riscos físicos, mas abrangem também aspectos como sobrecarga, assédio, pressão excessiva e organização inadequada do trabalho — temas que podem afetar permanência laboral, bem-estar e capacidade de trabalho. 

Para a Guarujá Previdência, autarquia responsável pela previdência social dos servidores públicos municipais de Guarujá, a abertura de abril oferece uma oportunidade de integrar inclusão, saúde e prevenção em uma mesma linha de reflexão. Falar de autismo é falar de acessibilidade, direitos e proteção social. Falar de segurança no trabalho é falar de prevenção, continuidade contributiva e cuidado com a saúde ao longo da vida ativa. Em ambos os casos, a mensagem é semelhante: proteger o futuro exige atenção concreta às condições do presente.

De acordo com o coordenador técnico da Saúde Ocupacional de Guarujá, Dr. Antônio Briceño Armas, relações interpessoais também são muito importantes dentro do ambiente laboral. “E falar sobre prevenção, obviamente, no âmbito da saúde ocupacional em específico, é, digamos assim, premissa. É o principal. Nosso trabalho, justamente, é falar, mostrar e sensibilizar as pessoas quanto ao prevencionismo”, diz.

Prossegue o especialista: “E o prevencionismo começa em mudança de cultura. Porque, muitas vezes, isso é deixado na mão só da medicina ou só da engenharia de segurança do trabalho. Mas eu entendo que esse é um problema de todos: dos trabalhadores e da organização. Porque tem que ter consciência prevencionista, não só no trabalho, mas também em casa. Porque acidentes domésticos também acontecem. ‘Faça você mesmo’: vai trocar uma lâmpada, vai escalar, vai mexer em alguma coisa, cai da escada, se machuca. Fez coisas em casa que, no trabalho, faria com EPI, mas em casa não utiliza. Acaba se queimando cozinhando porque não estava usando aquela luva. Coisas desse tipo. Então, eu entendo que conscientizar quanto à prevenção tem como objetivo primordial, para os indivíduos, levar isso para sua cultura, para seu dia a dia, e fazer uma transformação nessas pessoas quanto à responsabilidade que elas têm sobre a sua saúde e sobre a sua segurança. Não é só papel da medicina e da segurança do trabalho”.

Ao longo do mês, as campanhas de abril convidam a sociedade a ampliar a compreensão sobre direitos, ambientes mais inclusivos e responsabilidade coletiva com a saúde. Para a previdência, essa é uma agenda estratégica: quanto mais informação, acolhimento e prevenção existirem no cotidiano, maiores são as chances de trajetórias profissionais mais estáveis e de um envelhecimento com mais dignidade, autonomia e proteção social. 

Ambiente de trabalho seguro também é política de previdência

Falar de segurança no trabalho é falar de prevenção, mas também de proteção social. Quando um ambiente laboral adoece ou expõe trabalhadoras e trabalhadores a riscos evitáveis, os efeitos não ficam restritos ao presente: eles podem comprometer a capacidade de trabalho, gerar afastamentos, reduzir renda e produzir impactos duradouros na trajetória profissional e previdenciária. É por isso que o Abril Verde, campanha voltada à prevenção de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho, dialoga diretamente com a missão de regimes previdenciários e com a defesa de um envelhecimento mais digno e saudável. 

Os números ajudam a dimensionar o problema. Dados atualizados do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho da Iniciativa SmartLab, coordenada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e pelo Escritório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) para o Brasil, mostram que o país acumulou 8,8 milhões de acidentes de trabalho e 32 mil mortes no emprego com carteira assinada entre 2012 e 2024. A mesma base indica ainda 2,6 milhões de novas concessões de benefícios acidentários no período, com gasto acumulado de R$ 173 bilhões em valores nominais. 

No recorte mais recente, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) informou que o Brasil registrou 724.228 acidentes de trabalho em 2024. Desse total, 74,3% foram acidentes típicos, 24,6% acidentes de trajeto e apenas 1% doenças ocupacionais, dado que o próprio ministério usa para alertar sobre a dificuldade de reconhecer formalmente doenças relacionadas ao trabalho. Na mesma apresentação, a coordenadora-geral de Fiscalização em Segurança e Saúde no Trabalho, Viviane Forte, afirmou: “Nosso objetivo é construir uma cultura de prevenção que promova ambientes mais seguros, melhore a qualidade de vida no trabalho e contribua para uma sociedade mais justa e igualitária”. 

Esse quadro não se resume aos acidentes mais visíveis. Em 2023, o Ministério da Saúde atualizou, após 24 anos, a Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho, incorporando 165 novas patologias e elevando o total de códigos diagnósticos de 182 para 347. Entre as inclusões estão doenças de saúde mental, distúrbios osteomusculares e outros agravos que mostram como o adoecimento ocupacional pode ser físico, psíquico e cumulativo. O mesmo comunicado informa que o SUS atendeu quase 3 milhões de casos de doenças ocupacionais entre 2007 e 2022, o que reforça a dimensão sanitária e social do tema. 

A discussão ganha ainda mais atualidade em 2026 com a evolução da NR-1, norma que trata das disposições gerais de segurança e saúde no trabalho e do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). Em março, o MTE lançou um manual específico para orientar a aplicação do capítulo 1.5 da norma e destacou que a publicação aborda também o gerenciamento dos riscos psicossociais, definidos como fatores ligados à organização do trabalho que podem afetar a saúde mental. Segundo o ministério, a medida integra as ações da Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho (CANPAT) 2026, que terá como tema justamente a prevenção desses riscos no ambiente laboral. 

No campo previdenciário, esse debate é central porque acidentes e doenças do trabalho podem resultar em incapacidade temporária ou permanente, além de afetar diretamente a continuidade contributiva e a estabilidade econômica das famílias. A proteção da capacidade laboral não interessa apenas à gestão do trabalho; interessa também à previdência, que atua justamente quando a pessoa perde, total ou parcialmente, condições de sustentar sua vida pelo exercício regular da atividade profissional. Prevenir, nesse sentido, é também reduzir sofrimento, afastamentos e vulnerabilidades futuras. 

Para a Guarujá Previdência, autarquia responsável pela previdência social dos servidores públicos municipais de Guarujá, o Abril Verde reforça uma mensagem importante: um ambiente de trabalho seguro é parte da proteção social. Cuidar da saúde ocupacional, reconhecer riscos físicos e psicossociais e fortalecer a cultura de prevenção significa proteger não apenas o presente da vida laboral, mas também o futuro de quem depende do trabalho para construir autonomia, renda e aposentadoria.  

Trabalho, saúde mental e prevenção: o que muda com a nova NR-1

A discussão sobre saúde mental no trabalho ganhou novo peso regulatório em 2026. Em março, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) lançou um manual para orientar a aplicação do capítulo 1.5 da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) e confirmou que o gerenciamento dos fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho passa a integrar de forma expressa o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), com exigência mantida para maio de 2026. Na prática, isso significa reconhecer que sofrimento mental, assédio, sobrecarga e organização inadequada do trabalho também precisam ser identificados, avaliados e prevenidos no ambiente laboral. 

A mudança não surgiu do nada. O próprio MTE informou que a Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho (CANPAT) 2026 terá como eixo os riscos psicossociais, e a Fundacentro — Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho, instituição pública federal voltada a pesquisa e difusão de conhecimento sobre saúde e segurança do trabalhador — já vinha alertando, no contexto do Abril Verde, para a necessidade de enfrentar esses fatores de risco de forma preventiva. Em 2026, a Comissão Tripartite Paritária Permanente manteve a exigência de gerenciamento desses riscos a partir de maio. 

Os dados ajudam a explicar por que o tema se tornou incontornável. Em janeiro de 2026, o Ministério da Previdência Social informou que, em 2025, a Previdência concedeu 546.254 benefícios por incapacidade temporária por transtornos mentais e comportamentais, um crescimento de 15,66% em relação a 2024, quando foram concedidos 472.328 benefícios dessa natureza. Em 2025, os grupos diagnósticos mais frequentes foram transtornos ansiosos e episódios depressivos. Já notícia publicada pela ONU no Brasil, em 2025, registrou que os benefícios por incapacidade relacionados à saúde mental haviam crescido 134% no último biênio, mostrando a velocidade com que o problema avançou. 

Esse quadro reforça que saúde mental no trabalho não pode ser tratada apenas como questão individual. A Convenção nº 190 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), adotada em 2019, reconhece o direito de toda pessoa a um mundo do trabalho livre de violência e assédio, inclusive por motivo de gênero, e passou a ser referência importante no enfrentamento dos riscos psicossociais, especialmente quando o adoecimento está ligado a humilhação, assédio moral, assédio sexual, pressões abusivas e ambientes hostis. Em pesquisa anterior da OIT, da Lloyd’s Register Foundation e da Gallup, divulgada em 2022, mais de uma em cada cinco pessoas ocupadas no mundo relatou ter sofrido violência ou assédio no trabalho. 

No campo previdenciário, essa mudança regulatória importa porque o adoecimento psíquico pode comprometer permanência laboral, capacidade funcional e estabilidade econômica de trabalhadoras e trabalhadores. Prevenir riscos psicossociais significa, também, proteger a capacidade de trabalho antes que o sofrimento se converta em afastamento prolongado, incapacidade ou ruptura da trajetória contributiva. Sob essa perspectiva, a saúde ocupacional deixa de ser apenas um dever de gestão e passa a ser também uma forma concreta de proteção social. 

“Se você tem pessoas mais felizes e com sentimento de pertencimento àquele local de trabalho, com certeza elas vão produzir mais, elas vão ter uma performance melhor. Então, esse entendimento eu sinto que ainda falta dentro de algumas organizações, muitas vezes até por falta de uma escola de liderança, de uma formação para isso. Porque precisa preparar, conscientizar o líder para isso também. Nós temos pessoas muito boas aí, mas a gente precisa de treinamento de inteligência emocional, gestão de pessoas, treinamento de comunicação não agressiva, treinamento sobre feedback estruturado. Essas coisas, aos poucos, vão trazendo resultado. Mas não é uma coisa que vai acontecer de uma hora para outra. Isso é um trabalho de formiguinha, precisa ser feito aos poucos”, diz o Dr. Antônio Briceño Armas.

“Depois, obviamente, entra a outra parte: conscientizar as pessoas de que elas têm que fazer também a parte delas. Não adianta você fazer tudo isso com liderança, sem que os liderados entendam que eles também precisam ter autocuidado, precisam fazer atividade física, precisam fazer terapia — e terapia não é coisa para doido, terapia é para todo mundo. Todo mundo precisa se autoconhecer”, completa.

Para a Guarujá Previdência, autarquia responsável pela previdência social dos servidores públicos municipais de Guarujá, o debate traz uma mensagem clara: ambiente de trabalho seguro não envolve apenas riscos físicos, químicos ou biológicos. Envolve também cultura institucional de cuidado, prevenção do assédio, organização saudável do trabalho e atenção aos sinais de sofrimento mental. No Abril Verde, a nova NR-1 ajuda a mostrar que proteger a saúde mental hoje é também preservar o futuro laboral e previdenciário de amanhã.  

Ambiente de trabalho seguro também é política de previdência

Falar de segurança no trabalho é falar de prevenção, mas também de proteção social. Quando o ambiente laboral expõe trabalhadoras e trabalhadores a riscos evitáveis, os efeitos não ficam restritos ao presente: eles podem comprometer a saúde, reduzir a capacidade de trabalho, gerar afastamentos e produzir impactos duradouros na trajetória profissional e previdenciária. É por isso que o Abril Verde, campanha dedicada à prevenção de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho, também dialoga com o campo da previdência.

Os números ajudam a dimensionar esse desafio. Dados do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho, da iniciativa SmartLab coordenada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e pelo escritório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no Brasil, mostram que o país acumulou 8,8 milhões de acidentes de trabalho e 32 mil mortes no emprego com carteira assinada entre 2012 e 2024. A mesma base registra 2,6 milhões de concessões de benefícios acidentários no período e gasto acumulado de R$ 173 bilhões.

No recorte mais recente, o Ministério do Trabalho e Emprego informou que o Brasil registrou 724.228 acidentes de trabalho em 2024. Desse total, 74,3% foram acidentes típicos, 24,6% acidentes de trajeto e 1% doenças ocupacionais formalmente reconhecidas. Ao comentar os dados, a coordenadora-geral de Fiscalização em Segurança e Saúde no Trabalho, Viviane Forte, afirmou que o objetivo é construir “uma cultura de prevenção que promova ambientes mais seguros, melhore a qualidade de vida no trabalho e contribua para uma sociedade mais justa e igualitária”.

O debate, porém, não se limita aos acidentes mais visíveis. Em 2023, o Ministério da Saúde atualizou a Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho após 24 anos, ampliando de 182 para 347 os códigos diagnósticos relacionados ao trabalho. Entre as inclusões estão agravos de saúde mental, distúrbios osteomusculares e outras doenças que mostram como o adoecimento ocupacional pode ser cumulativo, silencioso e de longa duração. O mesmo comunicado informa que o SUS atendeu quase 3 milhões de casos de doenças ocupacionais entre 2007 e 2022.

Essa ampliação do olhar preventivo ganha força também com a NR-1, norma que organiza o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). Em 2026, o MTE publicou manual orientando a gestão dos riscos ocupacionais e destacou expressamente os riscos psicossociais, ligados à organização do trabalho, ao assédio, à sobrecarga e a outros fatores que podem afetar a saúde mental. A mudança reforça que segurança no trabalho não se resume a evitar acidentes físicos: envolve também construir ambientes institucionais mais saudáveis.

No campo previdenciário, essa discussão é central porque acidentes e doenças do trabalho podem resultar em incapacidade temporária ou permanente, além de afetar diretamente a continuidade contributiva e a estabilidade econômica das famílias. Proteger a capacidade laboral é, nesse sentido, mais do que preservar produtividade: é reduzir sofrimento, evitar rupturas abruptas na vida profissional e fortalecer a segurança social ao longo do tempo.

Para a Guarujá Previdência, o Abril Verde reforça uma mensagem importante: um ambiente de trabalho seguro também é política de previdência. Cuidar da saúde ocupacional, reconhecer riscos físicos e psicossociais e fortalecer a cultura de prevenção significa proteger não apenas o presente da vida laboral, mas também o futuro de quem depende do trabalho para construir autonomia, renda e aposentadoria.

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