23 fev 2026
Alcoolismo e saúde pública: prevenção é caminho para qualidade de vida e proteção social
O Dia Nacional de Combate ao Alcoolismo, lembrado no último dia 18 de fevereiro, integra o calendário brasileiro de saúde como momento de conscientização sobre os riscos do consumo abusivo de álcool e a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do acesso ao tratamento. Considerado um problema de saúde pública, o alcoolismo — hoje classificado cientificamente como Transtorno por Uso de Álcool — afeta não apenas a saúde física e mental, mas também relações sociais, vínculos profissionais e a estabilidade econômica das famílias.
Dados recentes do Ministério da Saúde, com base em levantamentos como o Vigitel, indicam que o consumo abusivo de bebidas alcoólicas permanece elevado no país, especialmente entre adultos em idade produtiva. A Organização Mundial da Saúde (OMS) também aponta o álcool como fator de risco relevante para mais de 200 doenças e agravos, incluindo doenças hepáticas, cardiovasculares, transtornos mentais, cânceres e acidentes.
O psiquiatra Arthur Guerra de Andrade, referência nacional em dependência química e professor da Faculdade de Medicina da USP, destaca que o alcoolismo precisa ser compreendido como condição de saúde e não como falha moral. “O transtorno por uso de álcool é uma doença crônica, multifatorial, que envolve aspectos biológicos, psicológicos e sociais. O tratamento existe e quanto mais cedo ele começa, maiores são as chances de recuperação”, afirma o especialista.
Além dos impactos clínicos, o alcoolismo está associado a afastamentos laborais, perda de produtividade, acidentes de trabalho e incapacidades temporárias ou permanentes. Estudos epidemiológicos brasileiros indicam que o uso nocivo de álcool figura entre as causas indiretas relevantes de concessão de benefícios por incapacidade, seja por comorbidades psiquiátricas, seja por doenças orgânicas relacionadas ao consumo prolongado.
Repercussões sociais e familiares
O consumo abusivo também reorganiza a dinâmica familiar. Sobrecarga emocional, instabilidade financeira e necessidade de cuidados contínuos são fatores frequentemente observados em núcleos familiares que convivem com a dependência. Pesquisas em saúde mental apontam maior incidência de ansiedade, depressão e estresse entre familiares de pessoas com transtorno por uso de álcool, evidenciando que o cuidado precisa ser ampliado para além do indivíduo.
Essa dimensão coletiva do alcoolismo reforça a importância de políticas públicas de prevenção, acolhimento e reinserção social. A Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), no âmbito do SUS, atua por meio de equipamentos como os Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD), que oferecem acompanhamento multiprofissional e estratégias de reabilitação psicossocial.
Saúde, trabalho e proteção previdenciária
Quando o alcoolismo repercute na capacidade laboral, seus efeitos alcançam também a esfera da proteção social. Afastamentos, licenças médicas e eventuais aposentadorias por incapacidade são situações que exigem avaliação técnica e acompanhamento institucional, sempre com foco na reabilitação e no cuidado integral do servidor ou segurado.
Para a Guarujá Previdência, autarquia responsável pela previdência social dos servidores públicos municipais de Guarujá, a conscientização sobre saúde mental e dependência química integra o campo mais amplo da educação previdenciária. Falar de prevenção significa também reduzir riscos futuros, preservar a capacidade laboral e fortalecer trajetórias profissionais mais saudáveis e sustentáveis.
Prevenção como política de vida
Especialistas são unânimes em apontar que informação qualificada é ferramenta central no enfrentamento ao alcoolismo. Estratégias como redução de danos, acompanhamento psicológico, grupos terapêuticos e apoio familiar apresentam resultados consistentes na literatura científica internacional.
O Dia Nacional de Combate ao Alcoolismo, portanto, não se limita a uma data simbólica. Ele convida à reflexão sobre hábitos, redes de apoio e políticas de cuidado que impactam diretamente a saúde pública, o mundo do trabalho e a proteção social. Ao ampliar o debate, campanhas educativas contribuem para romper estigmas, estimular a busca por tratamento e promover uma cultura de cuidado contínuo ao longo da vida.

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